quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

O Brasil espírita e a transição planetária


As previsões referentes à transição planetária dão ênfase a dificuldades a serem enfrentadas nos mais diversos setores das organizações humanas, além de fenômenos geológicos que, de certa forma, sempre ocorrem no planeta. Na verdade, podemos esperar dias difíceis, alimentando sempre a certeza de que seremos auxiliados pelas esferas superiores da Espiritualidade. A encarnação de Espíritos preparados para as esperadas mudanças está sendo feita, conforme noticiam as mensagens recebidas do Plano Espiritual.1 A separação de Espíritos que deverão ser transferidos para outro ou outros planetas também está sendo providenciada. Entretanto, necessitamos ser cautelosos quanto às informações que continuamos recebendo.

Com relação ao papel que, nessa transição, cabe ao Brasil como “coração do mundo e pátria do Evangelho” devemos, igualmente, ser cuidadosos. A divulgação e a consolidação do Movimento Espírita em nossa pátria nos atribuem tarefas de grande responsabilidade. É preocupante identificarmos, por vezes, certo ufanismo e excesso de entusiasmo por parte de alguns espíritas. É importante também não nos esquecermos de que a Humanidade terrena é uma só, exigindo respeito mútuo entre os seus habitantes, além de um sentimento autêntico e profundo de fraternidade envolvendo encarnados e desencarnados.

As considerações com as quais iniciamos o presente texto não contradizem aquelas apresentadas pelo autor espiritual Humberto de Campos,2 quando nos relata sobre o “resplandecer [da] suave luz do Espiritismo”2 com a Codificação coordenada por Allan Kardec para orientar as “profundas transições do século XX”.2 Como parte dessas transições, realizaram-se as primeiras experiências doutrinárias e associativas espíritas em nosso país, sempre sob a direção do mundo invisível.

Pela mediunidade de Francisco Cândido Xavier, relata-nos ainda o cronista, que seria mais tarde conhecido por Irmão X, que ao findar o Primeiro Reinado Ismael reuniu-se com dedicados companheiros de luta na Espiritualidade para esclarecer que

[…] o século atual [séc. XX] […] vai ser assinalado pelo advento do Consolador à face da Terra. Nestes cem anos se efetuarão os grandes movimentos preparatórios dos outros cem anos que hão de vir. […] É preciso, pois, preparemos o terreno para a sua estabilidade moral nesses instantes decisivos dos seus destinos. Numerosas fileiras de missionários encontram-se disseminadas entre as nações da Terra, com o fim de levantar a palavra da Boa-Nova do Senhor […] a fim de que o século XX seja devidamente esclarecido, como o elemento de ligação entre a civilização em vias de desaparecer e a civilização do futuro, que assentará na fraternidade e na justiça […].2

Analisando a paisagem brasileira sob o aspecto espiritual, observa-se que o nosso país está povoado de ideologias e grupos religiosos refletindo a paisagem do novo século já iniciado. Cabe aos adeptos da Doutrina Espírita, que são também seguidores do Evangelho de Jesus, concentrar suas atividades no esclarecimento e na educação dos Espíritos.
Prosseguimos com mais uma observação de Irmão X na obra já referida:

[…] Só o legítimo ideal cristão, reconhecendo que o reino de Deus ainda não é deste mundo, poderá, com a sua esperança e com o seu exemplo, espiritualizar o ser humano, espalhando com os seus labores e sacrifícios, as sementes produtivas na construção da sociedade do futuro.2

A essência da transformação que se opera em nosso planeta tem um caráter intelecto-moral. Em outras palavras, o objetivo central da transição iniciada é a compreensão da realidade espiritual da vida e o desenvolvimento da verdadeira fraternidade universal. Os objetivos já estão delineados desde a mensagem sublime ditada a Moisés, relembrada e exemplificada por Jesus, e enfatizada pelos Espíritos que presidem a revelação da Doutrina Espírita na expressão simplificada do amor a Deus e ao próximo.3

É importante para nós, adeptos do Espiritismo em nosso país, não nos esquecermos da humildade. Não há privilegio nessa tarefa, mas apenas objetivos elevados a serem perseguidos também pelos irmãos de Doutrina de outras nações. Não existem fronteiras para as relações da verdadeira fraternidade. Mantenhamo-nos unidos nessa tarefa de caráter universal, exemplificando o amor e a solidariedade que deverão caracterizar a Terra como mundo de regeneração.

REFERÊNCIAS:
1 FRANCO, Divaldo P. Transição planetária. Pelo Espírito Manoel Philomeno de Miranda. 2. ed. 2. reimp. Salvador: Leal, 2010. Introdução.
2 XAVIER, Francisco C. Brasil, coração do mundo, pátria do evangelho. Pelo Espírito Humberto de Campos. 34. ed. 8. imp. Brasília: FEB, 2015. Cap. 22 e 30.
3 KARDEC, Allan. O evangelho segundo o espiritismo. Trad. Guillon Ribeiro. 131. Ed. 6. imp. (Edição Histórica.) Brasília: FEB, 2015. Cap 1.

FEB
por Nilza Garcia
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