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segunda-feira, 28 de julho de 2008

MINHA INFÂNCIA


Hildebrando Menezes

Fui e ainda sou...
Um menino feliz.
Irrequieto aprendiz.

Apenas cresci...
Mas não me perdi.
Joguei bola...bafinho...

Troquei figurinhas...
Namorei as priminhas.
Brinquei de médico.

Cacei passarinhos.
Coloquei nas gaiolas.
Só pra depois soltá-los.

Muito cedo também me soltei.
Vôo até hoje...meus sonhos...
Rebobino as peraltices...façanhas...

Com alegria e carinho. Saudades!
Do biboquê...das bolas de gude...
De pular amarelinha...subir nas árvores.

De andar descalço...chutar bola de meia.
Das lutas de box...biribas, cachetas...
Serenatas...bilhetes de amor...

Tardes dançantes...namoro na escola.
Meu acordeon. Minha primeira bicicleta...
A danada que se chamava 'mafalda'.

Do cachorrinho "totó"...das músicas ofertadas.
Nas rádios da cidade. O sorteio que ganhei
De um pacote de biscoito...dos aplausos.

Dos anos que fui artilheiro do time 11 irmãos.
Dos porres de vinho que bebi como sacristão
Escondido do padre da Igreja

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Silêncio e som


As palavras existem para comunicar, para exteriorizar aquilo que vai em nossa mente, ambiente iluminado pela idéias, mas, ao mesmo tempo, obscuro e secreto. Se, nesse momento, todas as palavras faltassem, não existissem mais, poucos saberiam expressar o que dizemos com “eu te amo”, “meu filho”, “saudade”, “felicidade”, assim como não poderiamos expressar, felizmente, em alto e bom som de baixo calão (como é de costume nestes momentos), o ódio, a intolerância e a incompreensão. Somos todos, igualmente, feitos de silêncio e som, porque além de usarmos a boca, sabemos dizer com nosso coração, com os nossos olhares, com o nosso corpo, com o nosso abraço, com a nossa mente, embora, infelizmente, poucos saibam ler essas informações, mudas e muito mais sinceras. Conforme o dito polular “um gesto vale mais do que mil palavras” e “o exemplo é que educa”. A palavra, misto de som e signo, é uma invenção antiga, mas nem todos sabem usá-la e/ou interpretá-la sem correr perigo de cometer equívocos. Sua função é facilitar a vida, todavia sua complexidade muitas vezes atrapalha. Talvez o mundo fosse outro, se soubéssemos dizer/ler em silêncio o que se passa na nossa alma e na do outro. Um trecho da canção “certas coisas”, de Lulu Santos, reforça o que se pretendeu ter sido dito, silenciosamente, nesse texto:

Cada voz que canta o amor
Não diz tudo que quer dizer
Tudo que cala fala mais
Alto ao coração
Silenciosamente, eu te falo com paixão
Eu te amo calado
Como quem ouve uma sinfonia
De silêncio e de luz
Nós somos medo e desejo, somos feitos de silêncio e som
Tem certas coisas que eu não sei dizer
A vida é mesmo assim, dia e noite, não e sim.

terça-feira, 1 de abril de 2008

Desabafo


Esse vento que sopra nessa manhã, entrando por essa janela que serve como testemunha do que falo, age como se fosse um chicote açoitando minha pele que teima em não aceitar a verdade estampada nos atos.
Faz frio, me sinto desamparado, só, com minhas lembranças que machucam e arde como fogo que queima lá dentro em meu ser me deixando ainda mais debilitado psicológicamente.
É o começo de um novo dia, torço pra que seja o começo também de novas coisas em minha vida de novas atitudes, de um novo viver.

Severo Moreira
severomoreira@yahoo.com.br