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quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Acredita em simpatias? A ciência explica o porquê

Segundo uma pesquisa, a crença em mandingas é uma forma de superar situações em que nos sentimos fora do controle. Quanto mais passos e repetições o ritual tiver, mais as pessoas creem neles

Juliana Santos
Fitinha lembrança do Senhor do Bonfim
Segundo os autores, apesar das diferenças superficiais, os rituais são iguais do ponto de vista cognitivo (Marco Antonio Pomarico)

As simpatias fazem parte da vida da maioria dos brasileiros. Vestir-se de branco na noite de Réveillon, colocar um vaso de sete ervas em casa, tomar banho de sal grosso e amarrar fitinhas no braço são alguns dos exemplos mais conhecidos.

O brasileiro André Souza, pós-doutorando em psicologia na Universidade do Texas, nos Estados Unidos, sempre achou curiosas as receitas de sua mãe para diversas situações cotidianas – se quisesse passar em uma prova, por exemplo, ele deveria dormir com o livro aberto e vestir uma camisa azul no dia do exame. Por isso, as mandingas viraram seu objeto de estudo acadêmico.

Souza e a psicóloga americana Christine Legare iniciaram uma série de pesquisas sobre rituais, especialmente simpatias. Com experimentos feitos no Brasil e nos Estados Unidos, a dupla mostrou que os processos cognitivos envolvidos na realização de um ritual são os mesmos presentes em diversas ações cotidianas – como apertar o botão do elevador mais vezes quando se está com pressa.

A relação entre as duas ações está na intuição: em ambos os casos, a pessoa não sabe exatamente como aquele processo (seja dar três pulinhos ou apertar o botão mais quatro vezes) vai fazer com que ela atinja seu objetivo, mas intui que alguns fatores, como a repetição, podem ser responsáveis pelo sucesso da ação.

Passo a passo – O primeiro estudo, publicado em abril de 2012 no periódico Cognition, buscou os fatores que fazem com que uma pessoa considere uma simpatia eficaz. O primeiro passo foi inventar mandingas - algumas delas, propositalmente parecidas. "Uma simpatia repetia o mesmo procedimento sete vezes, a outra só uma vez, e o resto era igual. A gente queria ver, dessas duas, qual as pessoas veriam como mais eficaz", explicou Souza, em entrevista ao site de VEJA, durante uma passagem pelo Brasil.

Ao todo, 162 brasileiros foram entrevistados para este estudo, em postos de saúde em Belo Horizonte. Cada participante ouvia algumas das simpatias e respondia, em uma escala de 0 a 10, o quanto acreditava que ela poderia funcionar. Os pesquisadores notaram que a frequência, a repetição e o nível de detalhamento dos procedimentos eram os principais fatores que faziam uma simpatia parecer confiável. "Se eu digo ‘uma simpatia boa para crescer cabelo é tomar um suco de laranja’, ou digo ‘pegue o suco, sopre três vezes, rode e então beba’, a segunda vai ser considerada mais eficaz, porque tem mais detalhes", explica Souza.

Segundo o autor, isso acontece porque quando nosso sistema cognitivo se depara com uma ação e um resultado que não sabe explicar, é mais fácil se convencer de que deve haver uma explicação quando vários procedimentos levam ao resultado, mesmo que você não saiba dizer como isso aconteceu. "O que difere uma ação ritualística das demais é não saber a relação de causa e efeito. Mas você compensa a falta de entendimento com processos intuitivos, como repetição e detalhamento", afirma Souza.

Esse tipo de intuição funciona para outras situações, além das simpatias. "A gente não tem uma cognição diferente pra avaliar rituais. Usamos os mesmos processos cognitivos, e é por isso que os rituais, apesar de terem diferenças superficiais, em termos cognitivos, são parecidos em qualquer lugar", diz.

Para garantir que os resultados não eram exclusivos dos brasileiros, acostumados com a tradição de simpatias, os autores repetiram o teste com 68 americanos. Entre eles, a quantidade de pessoas que acreditavam nesses rituais foi menor, mas os resultados se mantiveram iguais, ou seja, os mesmos fatores que fazem a simpatia parecer eficaz foram apontados pelos americanos, apesar de não haver equivalência às simpatias brasileiras nos Estados Unidos.

O fato de uma pessoa acreditar ou não na eficácia das simpatias também não alterou os resultados. Mesmo entre os participantes que se declararam céticos, a descrença era maior diante das simpatias com poucos detalhes e menos repetição.

Falta de controle – Em um segundo estudo, a ideia era mostrar como a falta de sensação de controle faz com que as pessoas acreditem mais nas simpatias. Segundo Souza, o sistema cognitivo tenta compensar a ausência, mesmo quando o contexto não envolve a crença em um ritual. "Se eu pergunto a você por que o Brasil está nessa situação econômica, você vai criar uma explicação, mesmo que não entenda nada de economia, porque o sistema cognitivo se sente mais à vontade quando sabe por que as coisas acontecem", explica.

Para demonstrar isso, os pesquisadores fizeram quarenta brasileiros e 92 americanos formarem frases com palavras pré-determinadas. Eles foram divididos em três grupos: no primeiro, havia palavras com significados que remetiam à sensação de aleatoriedade, como "caótico", "desordem", "imprevisivelmente" e "acaso". No segundo grupo, havia palavras de sentido negativo, como "medo", "machucado" e "idiota", enquanto no terceiro, apenas palavras consideradas neutras.

Depois disso, cada um recebeu algumas simpatias para avaliar. A ideia é que, entrando em contato com termos que remetem à falta de controle, o sistema cognitivo seria afetado por essa sensação, de forma inconsciente. De fato, os resultados mostraram que as pessoas desse grupo avaliaram as simpatias como sendo mais eficazes, enquanto o resultado dos grupos neutro e negativo foram iguais. Em outras palavras, quando estamos diante de uma situação que sentimos incapazes de controlar, temos uma tendência de acreditar em rituais, para compensar essa falta de controle cognitivo.

Segundo Souza, a principal contribuição dos estudos é mostrar que o processo cognitivo usado em rituais é algo geral da natureza humana. "O que leva uma pessoa no Brasil a fazer uma simpatia e uma nos Estados Unidos e não fazer é um processo cultural. Mas a partir do momento em que alguém faz uma simpatia ou outro ritual, o que a leva a acreditar naquilo ou não é universal", afirma. O segundo estudo foi publicado em agosto da revista Cognitive Science, e será apresentado em fevereiro do próximo ano, durante a 15.ª reunião anual da Sociedade de Personalidade e Psicologia Social, em Austin, nos Estados Unidos.

fonte:http://veja.abril.com.br/noticia/ciencia/pesquisa-ajuda-a-explicar-a-crenca-em-simpatias
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quarta-feira, 26 de março de 2008

Curiosidades de simpatias

COMIDAS QUE DÃO SORTE

LENTILHAS: uma colher de sopa é suficiente para assegurar um ano inteiro de muita fatura à mesa. A origem desta superstição é italiana e foi trazida para o Brasil pelos imigrantes.

ROMÃS: para atrair dinheiro, coma sete partes, guardando as sementes na carteira.

BAGOS DE UVA: para os portugueses, comer 3, 7 ou a quantidade correspondente ao seu número de sorte garante prosperidade e fartura de alimentos. Para garantir também dinheiro, guarde as sementes na carteira ou na bolsa, até a troca do próximo Ano-Novo.

CARNE DE PORCO: deve ser o prato principal da ceia, servida à meia-noite. Como o porco fuça pra frente, garante armários cheios o ano todo. Evite o peru, que cisca para trás.

NOZES, AVELÃS, CASTANHAS E TÂMARAS: estas, trazidas para cá pelos imigrantes de origem árabe, são recomendadas para garantir fartura.


A MODA MUDA PRA DAR SORTE

CALCINHA OU CUECA NOVAS: Dão sorte no amor, porque deixam os mal-entendidos para trás. São recomendadas principalmente para quem está começando namoro, para garantir o futuro.

ROUPA BRANCA: é um hábito relativamente recente, trazido para o Brasil com a popularização das religiões africanas. O branco representa luz, pureza, bondade.

QUALQUER PEÇA AMARELA: pode ser uma peça íntima, um lenço, uma faixa ou um pequeno lacinho amarelo (que deve ficar sempre na sua bolsa). O amarelo representa o poder do ouro e, dizem, atrai dinheiro.

UMA NOTA DE DINHEIRO DENTRO DO SAPATO: os orientais dizem que a energia entra no nosso corpo pelos pés. Vai daí, o dinheiro no sapato atrai mais e mais riquezas.

LENÇÓIS NOVOS: a dica é especial para recém-casados. Dizem que os lençóis novos, na primeira noite de ano, deixam as possíveis ameaças do ano passado na máquina de lavar.


OS CUIDADOS COM A CASA

......A casa deverá ser limpa, varrendo-a de trás para frente, e o lixo deve ser deixado fora. As vassouras devem ser queimadas e as cinzas enterradas.

......Nada quebrado deve ser deixado na casa (jarros de planta, garrafas, copos, pratos e espelhos).

..... Lave os batentes da casa com sal grosso e água, ou água do mar.

......Borrife a casa com água-benta nos quatro cantos. O ideal é pintar toda a casa, colocar lâmpadas novas (não deixar lâmpadas queimadas).

......Verifique se os sapatos estão em ordem e se as roupas não estão pelo avesso.

......As flores da casa devem ser amarelas para chamar ouro.

......As portas e janelas das casas devem estar abertas e as luzes acesas.

......Tudo isso atrai boa sorte e bons fluidos no Ano Novo que vai chegar.


À MEIA NOITE, DEPOIS DOS ABRAÇOS.

PULAR SÓ COM O PÉ DIREITO: atrai boas coisas para a sua vida, pois, segundo a Bíblia, tudo que está à direita é bom.

JOGAR MOEDAS, da rua para dentro de casa. Atrai riqueza para todos que moram no lugar.

DAR TRÊS PULINHOS, com uma taça de champanhe na mão, sem derramar uma gota. Depois, jogar todo o champanhe para trás, de uma vez só, sem olhar. Deixa para trás tudo de ruim. Não se preocupe em molhar os outros: quem for atingido pelo champanhe terá sorte garantida o ano todo.

SUBIR NUM DEGRAU numa cadeira, enfim, em qualquer coisa num nível mais alto. Diz o folclore que isso dá impulso à sua vontade de subir na vida. Comece, é claro, com o pé direito.

FAZER BARULHO: Os povos antigos acreditavam que afugenta maus espíritos. Vale apito, batucada, bater panelas, desde que seja exatamente à meia-noite. Dizem que não há mal que resista.

ACENDER VELAS NA PRAIA ou jogar rosas nos espelhos de água, em intenção de Iemanjá. A deusa africana protege seus fiéis, com saúde, amor e dinheiro o ano todo, dia o candomblé. (CRUZ,89).

......Há ainda o costume de receber o Ano Novo, à meia-noite, com fogos de artifícios, sinos tocando e muita música.


PARA TER SAÚDE E DINHEIRO O ANO TODO

......Para ter paz, saúde, aumentar o dinheiro e preservar a harmonia no lar o ano todo, vale a simpatia das três rosas brancas.

......Pegue três rosas brancas, e coloque-as em um vaso virgem branco ou de vidro transparente. Coloque dentro dele seis moedas, uma cebolinha, água e deixe ficar assim durante sete dias.

......Depois dos sete dias, troque a água, tire a cebolinha e troque as rosas. Só deixe ficar as moedas.

..... Essa prática deve ser repetida de sete em sete dias, de preferência nas sextas-feiras, o ano todo.


PARA NUNCA FALTAR DINHEIRO

......Compre um lenço e na noite de 31 de dezembro, exatamente na hora da passagem do ano novo, molhe-o e coloque-o para secar. ......Antes de o sol nascer, recolha o lenço e amarre dentro dele alguns níqueis. Só abra esse embrulho na meia-noite do próximo 31 de dezembro. Daí para frente, nunca mais há de faltar dinheiro.


SUPERSTIÇÕES

......1 - Não passe o Ano Novo com os bolsos vazios.

......2 - Coma doze uvas verdes, à meia-noite do Ano Novo, para ter dinheiro em todos os meses do ano.

......3 - Guarde em lugar seguro, para ninguém achar, a tampa da garrafa de "champangne", que tenha feito muito barulho, usada na festa de Ano Novo, chama dinheiro.

......4 - Defume a casa, na véspera do Ano Novo, com um defumador feito com carvão, xerém e açúcar. Além de chamar sorte e dinheiro, tira, também, o azar do ano velho.

......5 - No dia de Reis (6 de janeiro), coloque três caroços de romã dentro da carteira, para ter dinheiro durante o Ano Novo.